sábado, 1 de janeiro de 2011

Como me tornei louco

"Perguntais-me como me tornei louco. Aconteceu assim:
 
Um dia, muito tempo antes de muitos deuses terem nascido, despertei de um sono profundo e notei que todas as minhas máscaras tinham sido roubadas - as sete máscaras que eu havia confeccionado e usado em sete vidas - e corri sem máscara pelas ruas cheias de gente, gritando:
- "Ladrões, ladrões, malditos ladrões!"Homens e mulheres riram de mim e alguns correram para casa, com medo de mim. E quando cheguei à praça do mercado, um garoto trepado no telhado de uma casa gritou:
- "Êh um louco!".
Olhei para cima, para vê-lo. O sol beijou pela primeira vez minha face nua. Pela primeira vez, o sol beijava minha face nua, e minha alma inflamou-se de amor pelo sol, e não desejei mais minhas máscaras. E, como num transe, gritei:
- "Benditos, benditos ladrões que roubaram minhas máscaras!"
Assim me tornei louco. E encontrei tanto liberdade como segurança na minha loucura: a liberdade da solidão e a segurança de não ser compreendido, pois aquele que nos compreende escraviza alguma coisa em nós." Gibran K. Gibran

Um comentário:

katharina disse...

caro Hilário, vc não poderia ter feito escolha melhor de autor, postar texto de Gibran é magnífico. Gosto tanto dele que até sei que nasceu num dia mágico, 6/12, como eu!!
Como na letra da música:
"Dizem que sou louco por eu ser assim, mas louco é quem me diz que não é feliz...eu sou feliz"

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